

Não está sozinho! Veja como outros homens, jovens e adolescentes falam sobre o assunto…
"Eu sabia que alguma coisa estava errada no momento em que entrei na cozinha.
A minha mãe estava tão quieta! Então a minha mãe disse-me que tinha um cancro na mama e eu senti que ia desmaiar...
Tive tanto medo...
Fugi para o meu quarto e fiquei sentado na cama..."
Pedro, 16 anos
"Eu costumava ser um 'não-te-rales' mas uma rapaz feliz.
Desde que a minha Mãe tem cancro da mama comecei a preocupar-me com pequenas coisas.
A psicóloga da minha Escola tem falado muito comigo e até me juntou com outros dois rapazes que também têm mães com cancro.
Isso tem-me ajudado muito."
Zé Maria, 14 anos
"Algumas vezes o que me ajudava mais era correr ou jogar à bola até à exaustão."
Tomás, 16 anos
"Depois da minha mãe ter cancro da mama a minha irmã mais velha estava sempre a arranjar desculpas para sair de casa.
Um dia, chamei-lhe a atenção e ela, em vez de se zangar, começou a chorar.
Disse-me que não aguentava ver a nossa mãe a sofrer.
Eu disse-lhe que sentia da mesma maneira.
Agora falamos mais e ajudamo-nos.
É bom!"
Jaime, 13 anos
"Quando a minha mãe me disse que tinha cancro da mama fiquei muito assustado.
Tudo o que já tinha ouvido dizer do cancro é que era uma doença terrível.
E pensei 'Mas, realmente, o que é que eu sei sobre o cancro da mama?' A resposta foi, 'Pouco'.
Então, comecei a ler uns livros e pesquisei na Internet.
O meu pai até me disse que algumas coisas que eu encontrava na Web não eram certas para o tipo de cancro da minha mãe.
O cancro da mama ainda me assusta muito, mas aprendi que muitas mulheres conseguem sobreviver.
Já não tenho tanto medo!"
António José, 14 anos
"A minha maior preocupação era dar apoio à minha mulher.
Pedi aos meus filhos que lhe telefonassem mais vezes porque pensei que ela gostaria de ter com quem falar."
José, 48 anos
"Durante a doença da minha mulher ficámos ainda mais ligados embora tenha havido um certo afastamento físico.
A Amélia não queria contacto sexual.
Abraçávamo-nos, falávamos, víamos televisão ou escutávamos música juntos...
como amigos muito chegados."
João Carlos, 45 anos
"Quando nos disseram o diagnóstico ficámos muito preocupados. Quando
soubemos que tinham sido encontrados alguns gânglios positivos,
percebemos que isso iria obrigar a minha companheira a fazer um
tratamento muito rigoroso. Eu decidi reduzir as minhas
responsabilidades profissionais para ter mais tempo para ela.
Acompanhei-a a todas as consultas médicas."
António, 57 anos
"Os maridos das mulheres com cancro da mama não conhecem outros
homens na mesma situação porque não é uma coisa de que se fale.
Supõe-se que os homens são fortes porque nos educaram fazendo-nos
acreditar que somos capazes de lidar com as dificuldades, que os
'verdadeiros homens não choram'. Percebi durante a doença da minha
mulher que isso não é verdade!"
Luis, 53 anos
"Mudámos de posições para podermos ter relações sexuais e eu percebi que a Manela tinha menos interesse na actividade sexual.
Ela gosta que eu a abrace e eu não tenho problemas com isso."
Arnaldo, 47 anos
"Aprendi há muito tempo que, mesmo quando são pequenas, as crianças
têm muita facilidade em sentir quando alguma coisa não corre bem. É
melhor falar com elas abertamente e explicar-lhes o que se está a
passar."
Júlio Alberto, 42 anos
"Foi difícil passar por tantas inquietudes mas no fim dei-me conta
que o cancro da mama é algo que podemos afrontar, não é mais forte do
que nós."
Jaime, 46 anos
"Fui sempre dizendo para mim que iria vencer esta experiência, que não seria ela a vencer-me."
Jorge, 16 anos
"O pior era ver a minha mãe com dores. Um dia disse-lhe como me
sentia mal com isso. Ela respondeu-me que estava com má cara mas que
nem se sentia assim tão mal. Sei que a minha mãe está a passar por um
período difícil, mas saber que não tem tantas dores como eu pensava
faz-me sentir melhor."
Martim, 15 anos
"Eu tinha perguntas mas não sabia com quem falar.
Perguntei à minha mãe se podia ir com ela ao médico, e ela concordou.
Na primeira vez deixei-me ficar sentada, ali.
Na vez seguinte o médico perguntou-me se eu tinha alguma dúvida.
Então, fiz uma ou duas perguntas e foi mais fácil do que eu pensava."
Ruben, age 14
"Eu queria ir visitar a minha mãe mas só de pensar no Hospital ficava nervoso.
Não gostava dos cheiros e não queria ver a minha mãe numa cama, doente.
Arranjei desculpas para não ir visitá-la mas senti muito a sua falta.
Então, um dia uma amiga da minha mãe foi buscar-me à Escola e levou-me ao Hospital.
Levei os trabalhos de casa e estive a fazê-los com a minha mãe.
Isto fez-me esquecer como era esquisito estar ali."
Alexandre, 13 anos
"A minha mãe perdeu o cabelo com a quimioterapia.
Começou a usar chapéus.
As pessoas olhavam para nós.
Sentia-me mal e envergonhado quando andava com ela na rua.
A minha mãe perguntou-me o que eu estava a pensar.
Quando lhe disse, respondeu-me que também não gostava de estar careca, mas que estava contente por estar viva.
Agora, quando olho para a minha mãe vejo uma mulher valente e já não me incomodam os olhares."
João Miguel, age 16
"Depois da minha mãe ter cancro da mama, eu zangava-me com tudo e
todos. Não era justo que eu tivesse de cuidar da minha irmã mais
pequena e de limpar a casa. Sentia-me como se estivesse a afogar-me mas
tentei não entrar em pânico e disse à minha mãe as minhas dificuldades.
A minha mãe tentou resolver o problema e a minha irmã passou a ficar em
casa de uma amiga, depois da escola, para eu poder ir ao treino de
futebol. A minha mãe é formidável. Compreende-me mesmo!"
Rodrigo, 15 anos
"Sempre tive a atenção dos meus pais como garantida. Mas depois da
minha mãe ter cancro da mama já ninguém me presta atenção! Eu sei que
andam todos muito preocupados mas sinto-me mesmo infeliz. Felizmente
consegui escrever-lhes um bilhete. E eles perceberam! Agora sinto-me
mais perto dos meus pais."
Luís Filipe, 15 anos
"Eu nunca tinha estado doente antes da minha mãe ter cancro da mama
mas nessa altura comecei a ter dores de cabeça e de estômago! Comecei a
pensar que estava doente... Falei com a enfermeira que me disse que o
stress podia provocar uma série de problemas. Deu-me alguns conselhos e
disse-me que podia falar com ela sempre que quisesse. A pouco e pouco
comecei a sentir-me melhor."
Miguel, 15 anos
"As coisas não estavam fáceis entre mim e a minha mãe.
Discutíamos por tudo e por nada.
Quando a minha mãe me disse que tinha cancro da mama comecei a sentir-me mesmo mal.
Foi quando ouvi falar de um grupo de apoio para filhos de mulheres com cancro.
A primeira vez fui com um amigo.
Só ouvi.
Depois percebi que eles tinham os mesmos problemas que eu e foi mais fácil.
Foi com a ajuda deles que voltei a falar com a minha mãe e até já nos rimos das discussões estúpidas que tínhamos antes."
Alex, 17 anos
"A minha mãe sempre me disse que devia preocupar-me com a Escola.
Mas agora que está com cancro da mama, tenho mais com que me preocupar.
E há sempre muitas coisas para fazer quando volto da Escola. As minhas
notas começaram a baixar. Fui chamado à psicóloga, contei-lhe o que se
passava com a milha mãe e ela disse-me algumas coisas que tinham dado
resultado com outros jovens. Agora, quando começo a 'ir-me abaixo' falo
com a psicóloga e ela ajuda-me a sentir menos stressado."
Nicolau, 15 anos
"Ainda vejo os meus amigos, mas as coisas, agora, são diferentes.
Muitas das suas conversas parecem-me insignificantes, vão à discoteca e às docas.
Sinto-me como um extraterrestre! Estou muito preocupado com a minha mãe.
Conversas como 'quem ganhou o jogo de futebol', 'as trapalhices do árbitro' já não me parecem importantes.
Descobri que há outro puto na Escola que tem o pai com cancro.
Tenho mais em comum com ele do que com os antigos amigos."
Gonçalo, 16 anos
"Tenho de admitir que antes da minha mãe estar doente discutíamos um
bocado sobre o que eu queria vestir, o meu corte de cabelo, as minhas
saídas à noite .... Com a doença da minha mãe tornámo-nos mais unidos.
Os assuntos das nossas discussões não eram importantes, o importante é
viver..."
Rodrigo, 17 anos
"Antes do cancro da mama da minha mãe preocupava-me pouco com o que
passava. Mas agora abri os olhos. No mundo acontecem coisas horríveis,
como o cancro da minha mãe, mas o mundo não deixa de ser um sítio
maravilhoso! Apesar da pressão que existe na minha família aprendi a
apreciar cada dia que passa."
Vicente, 18 anos
"Agora que a minha mãe acabou a quimio e a radioterapia, as coisas ficaram bem diferentes.
Eu tinha de ir buscar o jantar e ajudava a minha irmã, Maria, com os trabalhos de casa.
Agora que a mãe está melhor a Maria já não quer que eu a ajude! Durante um tempo fui o 'herói'.
Estou contente por a minha mãe estar melhor mas tem-me custado a habituar.
A minha mãe diz que vai levar algum tempo..."
Carlos, age 15
"Às vezes sinto-me mesmo bem com as pequenas coisas que consigo fazer para a minha mãe.
Outras vezes, a única coisa que posso fazer é estar ao lado dela.
Muitas vezes não precisamos de falar.
Mesmo quieto e calado penso que a minha mãe sente como gosto dela."
José Carlos, 17 anos